Aquilo que distingue um turista de um viajante
Não tenho nada contra turistas. Temos de respeitar os desejos e as vontades de todos desde que não interfiram com a nossa.
O turista gosta de sair para dizer que saiu, de fotografar para mostrar que fotografou, de visitar para dizer que lá esteve, de comer para dizer que comeu. E não são tudo vontades legítimas??? Todos nos gostamos, por muito pouco que seja, de mostrar aos outros os nossos feitos. E há uns que gostam mais que outros; e desde que seja felizes, que crítica lhes podemos fazer… Não é, afinal, para isso que cá estamos todos?
No entanto há coisas que não dá para perceber bem (e quando se fala em perceber não se está a falar de respeito): porque é que se faz um esforço enorme só para poder mostrar aos outros? Sim. Porque todos sabemos o esforço que é feito pelo laborioso turista… que luta contra a vontade de sair do conforto do seu lar, luta contra as despesas que vai ter de arcar o resto do ano (porque o dinheiro para as férias vem sempre do mágico cartão de plástico que todos os anos é consecutivamente aclamado e maldito), o esforço de ter de ouvir as pedinchices de toda uma família e de ter de se levantar ainda mais cedo do que quando vai trabalhar (isto porque não há tempo a perder e tem de se visitar tudo).
Fica então ao critério do turista decidir se compensa… porque acreditem ou não, para muitos compensa mas acho que para alguns não.
O viajante só quer viajar e não está confortável no lar, nem em lado nenhum. O viajante não se preocupa muito com o que os outros pensem (eu disse muito, n digo que não se preocupe de todo). O viajante gosta do peso da mochila, por um motivo inexplicavelmente masoquista, e também de correr riscos que não o levam a lado nenhum. O viajante não sabe porque é que viaja nem porque é que quer mudar e é capaz de abdicar para ir e só para ir. E se ficar, melhor…
Cada um deseja o que deseja e não nos cabe a nos julgar!

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